sábado, 26 de abril de 2014

Preenchendo lacunas

Quando ouço a palavra "lacuna' eu lembro de Al Ries e Jack Trout e suas ideias de posicionamento de marca. Lembro que diziam: "se não puder ser o primeiro em uma categoria, crie uma nova categoria e, então, seja o primeiro". Segundo eles, uma das vantagens de ser o primeiro no mercado é o fato de que "as pessoas têm uma tendência natural a permanecerem com o que já têm", ou seja, todos são avessos a mudanças.
Realmente, vez por outra caímos em nossa zona de conforto e ali permanecemos. Podemos estar insatisfeitos com um emprego, com uma relação ou com um produto e, mesmo assim, a incerteza do novo faz com que pensemos que "não está tão ruim assim". Mas será que isso basta? Não estar tão ruim assim não deveria ser suficiente. Nunca.

Foi por isso que eu criei esse blog: para mudar algumas coisas com as quais estava insatisfeita. Na verdade, ele é uma desculpa pra eu me mexer e escapar da zona de conforto em que me joguei em alguns aspectos da minha vida. E nem sempre mudanças envolvem atitudes drásticas; às vezes, os pequenos passos são os que nos levam mais longe - que o diga Neil Armstrong.

Mais uma vez, estou reunindo duas tarefas em um mês aqui no blog. São dois passos pequenos, mas que farão grande diferença na minha vida. Só que as lacunas que preciso preencher vêm lá do passado...

TAREFA DE MARÇO:
A tarefa de março leva em consideração uma lacuna inaceitável em minha vida: a da vivência cinematográfica. Aliás, se você tem problemas cardíacos e não pode sofrer fortes emoções ou sustos, PARE DE LER ESTE POST AGORA!

É SÉRIO! VOCÊ PODE NÃO ESTAR PREPARADO PARA ESTA CONFISSÃO!!!!

VOCÊ CONTINUA AÍ???? Bem, presumo que foi tomar o seu remédio para a pressão ou gosta de emoções fortes. Então, lá vai! É por sua conta e risco.

EU NUNCA ASSISTI A MUITOS FILMES-QUE-TODO-MUNDO-JÁ-VIU, como: "Meu primeiro amor" e "Dirty Dance";

Se beber não case (I, II e III) e Star Wars (assisti à parte de um deles e...bom...eu...dormi);

Armagedon, Independence day, Rambo e Top Gun;
Jumanji, Jurassic Park e os filmes do Indiana Jones;
Os goonies, Duro de Matar (devo ter visto algum da franquia, mas não lembro) e De volta para o futuro;

e para piorar a minha falta de conhecimento, nunca vi "Curtindo a vida adoidado" ou "Débi e Lóide".

Eu sei. A lista de filmes-que-todo-mundo-viu-menos-eu é muito grande. Mas esse mês vou me redimir. A tarefa é assistir a, pelo menos, 30 filmes que a maioria das pessoas já viu. Não são necessariamente filmes clássicos, como Psicose e Cantando na chuva (aos quais eu também nunca assisti), mas filmes que por algum motivo seja "estranho" que eu nunca tenha assistido.
Claro que esse é um conceito subjetivo, por isso peço ajuda de vocês para me darem dicas de filmes a que devo assistir. Esses que citei acima já estão na lista.

Aliás, eu aproveitei a folga da Páscoa para começar a tarefa - mesmo não tendo postado aqui. Já assisti aos filmes

  • Monty Python - o sentido da vida
  • Atividade Paranormal
  • Identidade Bourne
Assim sendo, as tarefas deste mês terão fim no dia 18 de maio.

IMPORTANTE: Não vou assistir a filmes de cujo gênero eu não gosto, como "O exorcista". Não adianta. Pode ser o mais clássico do mundo. Não gosto desse tipo de filme. Não vou arriscar minhas noites de sono tranquilo por isso.

A tarefa e as regras são essas. Ajudem! Vamos acabar com essa deficiência cinematográfica! É hora de aumentar minha cultura geral (e comer muita pipoca)!!!


TAREFA DE ABRIL:
A lacuna que eu quero preencher com essa tarefa é uma lacuna triste, porém cada vez mais presente na minha vida. O tempo passa, a gente cresce e com isso ganha muitas obrigações e responsabilidades; são compromissos e mais compromissos. Temos que dividir nossas 24 horas entre tantas coisas que, geralmente, as que são mais importantes ou ficam com pouco tempo reservado ou sem tempo algum. E, assim, vamos construindo ausências.

Quantas pessoas um dia nós chamamos de amigas e hoje não passam de meras conhecidas? Com quantas pessoas já compartilhamos momentos felizes e hoje não sabemos nem o que fazem da vida? O afastamento acaba criando uma barreira. Surge um certo desconforto de procurar essas pessoas. Afinal, depois de tanto tempo longe, é meio estranho puxar assunto do nada. Essas pessoas já não são mais quem eram. Nem sabemos quem são hoje, só temos aquela imagem que guardamos do passado. É como um estranho que, no fundo, não é tão estranho assim.

Recentemente, duas pessoas muitas queridas reapareceram na minha vida porque eu as convidei para retornarem. Portanto, A TAREFA DE ABRIL é dar o primeiro passo; é procurar pelo menos CINCO AMIGOS QUE NÃO VEJO HÁ MAIS DE UM ANO e trazê-los de volta para o meu dia a dia. Não dizem que verdadeiros amigos podem ficar muito tempo sem se falarem e quando se reencontram é como se o tempo não tivesse passado para eles? Pois o desafio está feito. Virei "caçadora de mitos". Vamos checar se isso é verdade e resgatar alguns amigos por aí.


#ummesporvez



sábado, 19 de abril de 2014

Teses sobre a bagunça

  1. Bagunça é um conceito subjetivo. Pilhas de livros e papéis sobre a mesa, a cama, o sofá e as estantes podem significar desarrumação para você e um sofisticado sistema de catalogação para mim.
  2.  A bagunça pode ser um eficaz sistema de localização. Você vê bagunça, eu vejo um mapa que indica que a folha de caderno com a matéria do dia anterior está embaixo do monte de papéis sem utilidade, a carteira de identidade está na bolsa vermelha pendurada na maçaneta e o fone de ouvido está na mesa ao lado do sofá, perto do copo com um restinho de Guaraná.
  3. No fundo, a bagunça é uma organização, só que criptografada.
  4. Bagunça é a reafirmação da essência racional do ser humano.  Acredite, o par de chinelos está no meio da sala de jantar por uma razão lógica.
  5. O verbo bagunçar significa "arrumar a bagunça do outro".
  6. Aceitar a bagunça alheia é um sinal de humildade. Afinal, não é por que você não entende que não está certo.
  7. Organizar a bagunça dos outros é como tentar tirar uma colmeia de cima de um telhado. A intenção pode ser boa, mas vai dar merda.
  8. Um dia alguém resolveu organizar a bagunça do mundo; assim nasceu a burocracia.
  9. O filósofo grego Sócrates dizia "Só sei que nada sei.'. Dizem que ele escreveu isso depois que a criada "arrumou" seu escritório.
  10. Da última vez que alguém resolveu arrumar a bagunça alheia, aconteceu isso:         

 
11.  A bagunça se reproduz por brotamento. Tente arrumar e você vai ver que onde existia uma estante bagunçada, agora existem duas.

12. A bagunça transcende o conceito de tempo. Afinal, se eu tivesse tempo, teria guardado a roupa no armário e não deixado tudo em cima da cadeira.
13. Toda bagunça é um Guernica, só que em 3D.
14. Bagunça é um sinal de autoconfiança. Se eu entro no meu quarto e sei onde estão minhas chaves, nada é impossível para mim.
15. Tenha medo das pessoas muito organizadas. Se elas têm espaço, é porque se livram das coisas facilmente. Você pode ser o próximo.

A bagunça secular que tomou conta de certos lugares da minha casa foi o inimigo da vez aqui no blog. E pra mim, missão dada é missão cumprida. Como não sou boba, comecei pela parte mais fácil: o sofá. Ele não parecia tão assustador.

O problema é que a pessoa começa a arrumar uma coisa, aí olha pra outra, resolve arrumar também e quando eu vi, meu quarto estava assim:
Respirei fundo e pensei: Não vou terminar tudo em um mês! Comecei pelo mais fácil e deixei o quarto pior do que estava! Consegui bagunçar ainda mais o sofá! Sério, fazer arrumação não é pra qualquer um.

O bom de se fazer arrumação é que a gente encontra (ou reencontra) cada coisa! Se eu soubesse tanta matemática quanto a quantidade de coleções de livros que achei, eu seria mais famosa que Einstein! Era livro que não acabava mais! Hoje eu vejo minha pouca intimidade com os números e penso: "Pra que tudo aquilo, meu Deus"!
E entre paradas para ler algumas páginas do caderno de regras do não-concretizado fã-clube das Chiquititas, do meu diário d equando eu tinha NOVE anos, ou alguma revistinha da turma da Mônica, eu consegui terminar!
Eu nem lembrava que o sofá era assim!
Sentada no meu novo (!!!!) sofá, fiquei pensando no meu próximo passo. Resolvi partir para a arrumação das fotos no computador. Demorou muito mais que eu imaginava, mas ficou tudo organizado e as fotos que quero imprimir estão devidamente escolhidas.




Agora, era hora de voltar ao trabalho braçal. Precisava encarar a estante dos artigos esquecidos.
Entre bloquinhos completamente utilizados do LANCE!, convites de formatura, textos da minha primeira graduação e um álbum completo dos Cavaleiros do Zodíaco (o primeiro que completei na vida!), as gavetas quase inexploradas guardavam muitas coisas. E acabaram transformando a minha cama nisso:
É assim que se faz: tira-se das gavetas e joga-se na cama. Gavetas arrumadas!
Tive que me apressar na arrumação dessa vez, pois não teria onde dormir, caso demorasse. Só que quando a família é acumuladora compulsiva, basta surgir um espaço e ele não tarda a ser ocupado.
A primeira gaveta ficou vazia e já foi ocupada pelos fichários da minha irmã. A segunda e terceira ainda têm espaço livre, mas em breve ganharão novos ocupantes, com certeza.

Aproveitei que já tinha evoluído para o "level quarto" e resolvi partir para a arrumação do guarda-roupa.
Essa foi a parte mais sofrida. Sempre acho que aquela blusa que não cabe mais vai voltar a caber quando eu emagrecer os famigerados cinco quilos. Ou aquela calça que não fecha vai ficar ótima assim que eu começar a malhar.
Mas eu nunca entro na academia, os cinco quilos não me abandonam e as roupas ficam esperando eternamente na gaveta do armário, só ocupando espaço. Isso sem contar nas bolsas... tantas bolsas!
Eu me apego às coisas, fazer o que? Algumas roupas têm uma história, guardam alguma lembrança. Às vezes, me livrar delas é como me livrar das recordações também e não quero fazer isso. Desapegar só é fácil na cabeça dos donos na OLX.
E enquanto tento abrir mão de algumas coisas, vou fazendo mais bagunça...
Passou um furacão no meu guarda-roupa e jogou tudo na cama!
Outra grande dificuldade de me desfazer das coisas atende pelo nome de "mãe". Eu separo um monte de roupas pra doar, ela abre a sacola e diz: "ah, mas essa blusa? Está ruim? O que ela tem?"
Não tem nada, mãe!!! Só não a quero mais!!! Como é difícil pra ela aceitar isso!
Aí, ela pega umas blusas pra ela, outras coisas separa pra minha irmã e umas poucas vão para doação. E as roupas só se mudam de um guarda-roupa pro outro.
Como deu pra ver, essa minha dificuldade é coisa de família.
Onde quer que estejam essas roupas, o importante é que não estão mais no meu armário e agora eu tenho espaço!!! Consegui até guardar umas caixas lá dentro! É tanto espaço que fico até sem saber o que fazer!

Depois disso, parti rumo ao desconhecido. Com um pano de limpeza na mão e uma ideia na cabeça, abri o armário de livros da garagem e me preparei para a batalha final contra a bagunça. Parecia que eu tinha aberto a caixa de Pandora. Não imaginava o que poderia sair dali. Não tinha ideia do que me esperava.
Quem sabe o mal que se escondia nesse armário? Acredite, nem o Sombra sabia.
Admito que minha imagem mental era diferente da imagem real que meus olhos encararam ao abrir as portas. Eu tinha visto esse caos quando tirei a foto acima, mas algumas coisas nossa imperfeita memória humana esquece para nos proteger. Tinha esquecido o tamanho do monstro que estava prestes a enfrentar.

Comecei tirando a caixa do aspirador da minha frente - isso foi fácil.
Depois, passei para os livros antigos do Children's course do CCAA e as agendas antigas.
Pouco a pouco, o armário começava a ganhar forma de armário.
E sem perceber eu caí na fenda temporal outrora ocultada por ele.
Li textos que escrevi aos sete anos. Na ficha com informações sobre mim tinha respondido que minha comida favorita era batata frita. E que eu não gostava quando meus pais ficavam doentes. (owwwnnn)
Encontrei minha coleção de adesivos e a super maleta com tudo: lápis de cor, giz de cera, guache, canetinhas... Sempre quis essa maleta. Ganhei uma. E eu nunca tive coragem de usar... :(
Os adesivos, a ficha sobre mim (aos 7 anos), a maletinha e um livro da 4ª série
 Encontrei também uma incrível propaganda que escrevi em um exercício de português quando tinha uns dez anos. Acho que meu destino já estava traçado para a Comunicação Social e eu nem sabia disso.

Nizan Guanaes não sabe o talento que está perdendo
Finalmente, encarei o Dr. Robotnik da bagunça e... venci!
O melhor dessa tarefa não foi ganhar espaço para ser ocupado com outras coisas. Muito menos aprender a guardar menos coisas - como disse, isso é genético, it is not my fault. A coisa mais legal foi exatamente essa volta no tempo, foi lembrar de coisas que eu perdi pelo caminho, ideias que a correria da vida me fez deixar pra trás.
Foi bom recordar os sonhos que eu tinha e pensar no que fez com que eu desistisse de alguns. E refletir se não vale a pena voltar a lutar por outros. No fundo, eu percebi que a maior bagunça contra a qual todos temos que lutar constantemente é a que fazemos na nossa vida; é a bagunça que nos faz esquecer nossos verdadeiros sonhos.
Um pensamento filosófico, profundo demais ou brega. Quem diria que uma faxina poderia terminar assim.

STATUS: MISSÃO DE FEVEREIRO CUMPRIDA (E COMPRIDA TAMBÉM)!

#ummesporvez





















sexta-feira, 18 de abril de 2014

E da luta só vi a Pesagem

A tarefa do mês de Janeiro era a mais assustadora de todas: frequentar lugares indicados por amigos e acompanhada pelos devidos indicadores.
Para mim, isso era muito difícil porque envolvia entrar em lugares cheios e socializar com muitas pessoas diferentes. Apesar de eu ter feito Comunicação Social, isso é comunicação demais para mim.
Acho que se um ambiente tem muitos estímulos - pessoas, luzes, música alta, movimentação -, eu começo a ficar angustiada. Meu cérebro deve processar isso tudo como uma possível Terceira Guerra Mundial e ordena que eu fuja o mais depressa possível. Acho que essa seria a explicação biológica para a incrível vontade que eu sinto de me esconder num local calmo e seguro e esperar que todos vão embora.

O desafio foi sugestão da Andressa, mas nem ela sugeriu um lugar para irmos. Acho que ficou pensando no lugar que poderia ser menos traumático pra mim e não lhe ocorreu nenhuma ideia.

Então, acabei indo apenas a um restaurante onde acontece um baile de forró às segundas-feiras. Foi bem divertido. Fiquei espantada como todos estavam ali realmente para dançar e não para ficar tentando pegar alguém. acho que as "boas intenções" dos frequentadores tornaram a noite mais divertida do que eu imaginava que seria.

O que eu fiz não sei se posso chamar tecnicamente de dança, mas pelo menos foi divertido - pra mim!
Eu só tinha pena de quem dançava comigo. E o parceiro quase nunca se repetia, porque uma vez que alguém entrava em contato com minha profunda habilidade pra dançar forró, não me chamava pra dançar de novo. Por que será?

De qualquer forma, decidi que voltarei com essa mesma tarefa mais a frente. Vamos ver se na próxima vez, as pessoas se animam em me ajudar. Porque desta vez, da minha LUTA contra a aversão a uma vida social agitada eu só vi a PESAGEM...